Os carregadores portáteis viraram item quase obrigatório na mochila de quem viaja – mas, a partir de agora, vão ter que ficar fora de uso durante o voo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) atualizou suas regras de segurança em abril e passou a contraindicar a utilização de power banks a bordo no Brasil. A medida já começa a aparecer na prática, sendo aplicada pela companhia Latam Airlines.
A regra faz parte da atualização da norma sobre o transporte de artigos perigosos e acompanha uma preocupação crescente do setor aéreo com baterias de lítio.
Regras para transporte de power banks
Os power banks não estão totalmente proibidos nas viagens. Ainda é permitido transportá-los na bagagem de mão e nunca na bagagem despachada (caso a mala de mão precise ser despachada no portão, o passageiro deve retirar o power bank antes de entregá-la).
Além disso, é preciso cumprir regras específicas. O regulamento prevê que cada passageiro pode levar até dois carregadores portáteis, desde que estejam em boas condições e protegidos contra curto-circuito. Há também limites de capacidade: equipamentos de até 100 Wh são liberados sem autorização, enquanto aqueles entre 100 Wh e 160 Wh exigem aprovação prévia da companhia aérea. Acima disso, o transporte é proibido.
Outro ponto importante é que os dispositivos devem permanecer acessíveis durante toda a viagem, guardados sob o assento à frente ou junto ao passageiro. Não podem ser colocados no compartimento superior nem conectados às tomadas da aeronave, e a Anac desaconselha que eles sejam usados para carregar outros aparelhos durante o voo.
A nova diretriz também reforça a obrigação das companhias de comunicar com mais clareza as restrições sobre itens considerados perigosos. A orientação é que os passageiros sejam informados em diferentes etapas da viagem – da compra da passagem à emissão do cartão de embarque e ao momento do embarque -, reduzindo surpresas de última hora no aeroporto. Leia a resolução da Anac na íntegra.
Por que os power banks preocupam?
A restrição está diretamente ligada aos riscos associados às baterias de lítio. Em determinadas condições, esses componentes podem sofrer curto-circuito, superaquecer e, em casos mais extremos, entrar em combustão.
Dentro de uma aeronave, um ambiente pressurizado e com espaço limitado, qualquer ocorrência com baterias exige resposta imediata da tripulação. Por isso, a lógica das regras é manter esses itens na cabine e ao alcance, mas reduzir ao máximo situações de risco, como o uso contínuo ou a recarga durante o voo. A atualização também segue padrões internacionais definidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
Companhias reforçam regras de segurança
No Brasil, a Latam é uma das empresas que já adotaram as novas orientações. Segundo a companhia, os power banks não podem ser utilizados a bordo em nenhuma etapa do voo e devem permanecer guardados em local de fácil acesso durante toda a viagem. Como alternativa, a empresa conta com tomadas para os passageiros.
A restrição acompanha um movimento que já vinha sendo adotado por outras companhias ao redor do mundo.
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